São apenas flashs, fragmentos de uma infância da qual hoje em dia é possível registra-la com muita precisão de detalhes para serem revividas posteriormente...
Não é no meu caso pois, na época, poucas famílias tinham acesso as cameras fotográficas que utilizavam negativos de 35mm para registrar os momentos que achavam importantes.
Recordo-me de momentos felizes e que me trazem saudades; de momentos nos quais me tentavam me ensinar algo que agora já aprendi; de momentos que me mostravam vários caminhos que podería ter seguido mas entre tantos "momentos" os que mais ficaram gravados em minha memória e consequentemente influenciaram na minha vida, foram os chamados "negativos".
Pergunto-me: MAS APRENDEMOS MELHOR APENAS, COM OS ACERTOS?
Pelo visto não tenho como descrever aqui, alguns acontecimentos da minha infância e adolescência de modo que as pessoas que lerem e acompanharem os posts, compreendam de uma forma mais abrangente, o por que?
É possível que eu vá fazendo isso (relembrando acontecimentos passados), para melhor escrever o presente durante o decorrer da minha vida.
Mas voltando algumas dezenas de anos atrás, recordo-me nitidamente uma cena, um momento, em que tenho certeza, as pessoas envolvidas já esqueceram e fazem questão de deixar "no passado".
Ah se eu pudesse colocar um desenho aqui, feito por algum artista, mediante a descrição de "como eu me lembro"...
1- A CENA
Uma pessoa, adolecente, criança, EU. sentada ao chão sobre os paralelepípedos duros, gelados que compunham a rua, frente a minha casa. Apoiada sobre suas mãos em contato com a sujeira, areia, poeira daquelas pedras com as mãos espalmadas e trêmulas. Os braços esticados, sustentando a parte de cima do torax, o corpo trêmulo. O lado esquerdo do quadris apoiado também no chão, de forma que a totalidade do lado esquerdo da minha perna esquerda, ficasse também congelada sobre os paralelepípedos daquela rua. Um pouco flexionados, estavam os joelhos fazendo com que um ângulo de aproximadamente 50° em relação a posição do restante do corpo. Estava literalmente sentado ao chão apoiado sobre meus prórpios braços.
2- A DOR
É impossível voltar a sentir a dor física de alguns golpes sofridos no meu corpo pelo agressor. Socos, ponta pés... nem me lembro do que mais...
3- A HUMILHAÇÃO
Xingamentos, xingamentos, xingamentos... apesar de ser o irmão mais velho alguns poucos anos do meu agressor, um pouco mais alto mas, bem mais fraco em todos os sentidos da palavra. Principalmente nas reações, na força física, no "revide", na consciência e na razão... Literalmente um BOSTA.
4- O PODER
Força física nem sempre é sinal de poder mas nestes caso e em mmuitos outros que ocorreram na época, era o que mais se levava em consideração para representar uma pessoa "forte", imponente, dona do seu nariz e de suas próprias escolhas. Nos dias de hoje, podería se dizer: "ELE É, O CARA".
5- O MOTIVO
O CARA e outra pessoa que o acompanhava, iria para algum lugar fazer alguma coisa e eu apenas queria ir junto.
Fui proibido, enxotado, escurraçado...
Ter minha companhia era sinal de "fraqueza", de "vergonha", de "humilhação" e minha insistência em querer acompanha-los, resultou no contato físico do qual sempre levei a pior.
Só me restava chorar diante de todos enquanto todos caçoavam da minha fragilidade diante de meu agressor, sempre imponente e admirado por todos.
Esta é apenas UMA das muitas cenas das quais influenciaram o desenvolvimento do meu caráter e da minha personalidade durante estes anos todos...
PQP!
Lembrar desse momento me deixa mal...
Mais tarde continuo.
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