domingo, 19 de maio de 2013

Capítulo II

Há tantas outras coisas que fiz e deixei de fazer antes de me tornar adulto.

O que realmente é ser adulto?

É assumir responsabilidades, é ter noções de como conduzir minha própria vida, é ter que aprender a conviver com outras pessoas mesmo que na base das aparências só para fazer de conta que sou agradável, é ter que aceitar sem compreender outras opiniões, é tomar decisões e assumir riscos? O que é ser adulto?

Por anos a fio, tentei conduzir minha vida, minhas atitudes, pensamentos, responsabilidades e opiniões de acordo com os valores que eu acreditava ser o mais correto. Valores dos quais foram apresentados por mim pelos meus próprios pais, meus primeiros professores da vida.

Em qual momento durante estes anos todos que eu errei feio? Sempre me esforcei para estar dentro do caminho correto. Sim eu sei, jamais podería chegar a perfeição dos 100% em todas as minhas decisões mas, queria estar dentro dos 80-90%. Foi aqui que eu errei? Devería ter sido menos duro comigo mesmo e aceitar estar no máximo dentro dos 25% e olhe lá...

Quantas oportunidades deixei passar por não aceitar estar no caminho correto dos 25%.

8 ou 80? Não... 8.000 como sempre dizia.

Sempre me senti realizado e satisfeito por minhas escolhas diante das responsabilidades de se conviver com outras pessoas numa sociedade podre e corrupta. Onde valores ensinados por nossos pais, não tem valor algum para se alcançar certos objetivos nesta vida extremamente competitiva onde as crianças já nascem querendo "puxar o tapete" dos próprios colegas no berçario.

Descobrir que minha forma de enxergar estes valores e principalmente saber em quais proporções deveria aplicar em determinadas situações é que me deixar desconcentrado diante desta descoberta de que toda minha vida até agora, joguei na lata de lixo.

Deixei de possuir o que outros possuem por acreditar nestes valores, por jamais me vender totalmente pelos meus próprios interesses.

De que me valem tais valores morais, hoje em dia? O que recebi por acreditar neles? Por tentar aplica-los na minha vida?

Não sou pai mas (que eu saiba até o presente momento em que escrevo estas), mas se tivesse, ensinaria-o que não precisa se esforçar para chegar perto dos 100% da honestidade em todas as situações da sua vida. 25% esta de bom tamanho para que esta criança, se torne um dia num adulto que será "alguém na vida" e dormir tranquilo sem remorso dos que ficaram para trás... as pessoas ao seu redor podem nem chegar a tanto. Tudo dependerá do que esta em jogo. Dinheiro, poder, ostentação, beleza, você poderá ter tudo isso, meu filho. Basta lutar com muita garra pelos seus próprios objetivos e que irão favorecer somente a quem você quizer ou a si próprio que é o mais comum. O resto... não se importe com o resto, eles faríam o mesmo se estiverem no seu lugar.

A vida não é uma merda, as pessoas é que são!

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